CENTRO DE ESTUDOS GRAFOLÓGICOS

HISTÓRICO DA GRAFOLOGIA

 

É dito que os chineses, desde tempos imemoriais, têm uma grafologia; possuíam-na, já no século XI e os japoneses também a praticam há muito tempo. Por outro lado, no segundo século AC, Demétrio, na Grécia, dizia estar seguro de que a escrita refletia a alma do indivíduo e, no segundo de nossa era, G. Suetonius Tranquillus relacionava dados da escrita de Otávio Augusto com certo lado econômico desse imperador. Referir todas as pesquisas que se desenvolveram de alguns séculos para cá, e resultaram na grafologia do presente, seria demasiado longo; apresentaremos apenas um resumo delas, como introdução à análise da grafia, tal qual é geralmente praticada na atualidade.

 

Fase inicial

Editou-se em Capri, em 1622, o primeiro livro sobre a matéria. O autor, Camillo BALDI, médico de Bolonha, deu-lhe o título de Trattado come da una lettera missiva se conoscono la natura e qualitá dello scrittore (Tratado sobre como, através de uma carta, chega-se ao conhecimento da natureza e das qualidades do autor). Outro médico, na própria Itália, Marco Aurélio SEVERIANO (1580-1656), professor de anatomia e de cirurgia da Universidade de Nápoles, escreveu Adivinhador ou Tratado de adivinhação epistolar, livro em que procurava associar escrita e personalidade do indivíduo. Por volta de 1755, encontramos LAVATER, filósofo suíço, amigo de Goethe, que lhe estimulava as investigações. Preocupado com o conhecimento do caráter, estudou problemas das analogias entre expressões da linguagem e traços fisionômicos, de um lado, e entre essas expressões e a expressão da escrita, de outro. Dedicou extensos capítulos de sua obra a esses problemas. Também colecionou autógrafos procurando, assim dizia, preparar material de escrita para que mais tarde fosse utilizado. Albrecht ERLENMEYER, médico e diretor de hospital psiquiátrico, em 1879 publicou A escrita: caracteres principais de sua psicologia e de sua patologia e T. Wilhelm PREYER, pediatra e fisiologista da Universidade de Iena, em 1895, Contribuição à psicologia da escrita. E esses títulos aludem ao fato de que, na Alemanha, a Grafologia procurava apoiar-se na psicologia científica. Quanto ao tipo de grafologia, chineses, Lavater e, como este Goethe, Poe, Madame de Stael, Leibiniz e outros poetas, literatos, filósofos e artistas, nos séculos XVIII e XIX, consideravam a grafia segundo a impressão que esta, em seu todo, neles produzia. Não relacionavam essa impressão com elementos da escrita: faziam o que se diz uma grafologia intuitiva. BALDI, entretanto, iniciara a prática da análise da escrita, procurando conhecer o indivíduo com base nos elementos da mesma. Seu trabalho influenciaria, no fim do século passado, o de Michon e o de Crépieux-Jamin, que fundariam a escola francesa. Foi nesta que a escola alemã se baseou. Ainda a escola francesa foi o ponto de partida da grafologia científica, no dizer de Pulver.

 

Escola Francesa

Jean Hyppolyte MICHON, abade, estudioso de teologia, desenvolveu tão amplo trabalho sobre análise de escrita que se lhe atribui unanimemente o título de precursor da grafologia atual. Publicou Les mystères de l'écriture. Art de juger les hommes sur leurs autographes (Os mistérios da escrita. Arte de julgar os homens com base em seus autógrafos), com pequena colaboração de A. Desbarolles, o Système da grafologie (Sistema de grafologia), em 1875, primeiro estudo sistemático da matéria e outras obras mais. Fundou, na França, em 1871, a revista La Graphologie (A Grafologia), ainda hoje editada. A MICHON devemos o termo grafologia. Quem trabalhava no campo naquele tempo era grafologista e não, ainda, grafólogo. Dentre as obras de J. CRÉPIEUX-JAMIN (1858-1940), médico, destacam-se L'écriture et le caractère (A escrita e o caráter), Traité pratique de graphologie (Tratado prático de grafologia), Les éléments de l'écriture des canailles (Os elementos da escrita dos canalhas) e ABC de la graphologie (ABC da grafologia), que teve duas edições em português, uma em 1943. Ao autor se considera como fundador da escola francesa de grafologia. Com MICHON começou a existir, na França, a chamada escola dos sinais isolados. O autor, partindo de idéias de Baldi, procurou relacionar elementos específicos da escrita a elementos psíquicos também específicos e a traços de personalidade. Quanto à contribuição destes dois estudiosos, referiremos ainda que MICHON valorizou o gesto gráfico, o que deu à grafia "status" de linguagem expressiva. O sinal isolado, então seguiria os movimentos e as mudanças da alma, sendo móvel como ela. Segundo P. Foix, MICHON dizia que toda escrita, como toda linguagem, é a imediata manifestação do ser íntimo intelectual e moral e essa afirmação constitui o enunciado primeiro da ciência grafológica. Na área prática, o autor apontou a necessidade de se obter, para a análise, amostra de escrita espontânea e, se possível, de escrita de diferentes épocas.

CRÉPIEUX-JAMIN fez modificações nas teorias de Michon, ultrapassando-o. Crépieux-Jamin definiu sinal como uma manifestação gráfica, um traço grafológico, conseqüência de um movimento fisiológico. Deu-o, pois, como relacionado, constantemente com a energia de um movimento psicológico, que lhe seria correspondente. O traço não corresponde sempre a um único traço de caráter. O autor estabeleceu que o movimento gráfico e, por consegüinte, toda a escrita, apresentava as seguintes características "essenciais e fundamentais": direção, dimensão, forma, ordem, (clareza ou confuso, fato de ser ordenada ou não, cuidada ou negligenciada, etc.), continuidade, pressão e velocidade. Segundo o autor, pelo estudo de tais elementos se chegava às várias características da personalidade de quem escrevera, e estas eram enunciadas isolada e secamente. O autor, contudo, formulou a teoria das resultantes, produtos de vários sinais e assim expressa: "Todo sinal gráfico sofre nuanças por influência de um outro sinal". Isto faz justiça ao fato de os traços de caráter não apenas se modificarem segundo a inteligência dos indivíduos, mas também exercerem influência uns sobre os outros, podendo, assim, acentuarem-se ou tornarem-se menos intensos. O autor considerou ainda, o conjunto da escrita sob o ponto de vista da harmonia. Esta consideração, porém, não constitui algo básico para suas concepções e suas teorias. Estas, em conseqüência, permaneceram voltadas para detalhes, num corpo mais ou menos esquemático. Hoje, os grafólogos em geral, não seguem fielmente a Crépieux-Jamin, não fazem mais a análise toda a partir dos sinais, lembrados embora da teoria das resultantes; ao contrário, estudam os sinais explícita e basicamente em correspondência ao todo da grafia, à qualidade deste. Mais ou menos paralelamente à implantação da escola dos sinais isolados, apareceram os trabalhos de BINET. O Psicólogo investigou, com seus colaboradores, aspectos científicos da grafologia.